top of page

#DesafioDeOutubro 22 - Uma discussão boba

  • Foto do escritor: Maggie Paiva
    Maggie Paiva
  • 23 de out. de 2023
  • 2 min de leitura


Engraçado são os adolescentes, que necessitam muito pouco para declarar a uma paixão um amor eterno e menos ainda para pôr fim ao infindável.

A verdade é que, ainda que imprevisível, talvez imaturo, poucas coisas são tão genuínas quanto um jovem casal de namorados e quase nada é tão sincero quanto suas declarações de poucas palavras, mesmo que eles não tenham a menor ideia do que estão falando.

Ainda assim, como é duro estar mortalmente e irremediavelmente apaixonado aos 15 ou 16 anos. Só eles sabem, só eles entendem, porque nós, mesmo já tendo passado por essa idade, tendemos a esquecer as agruras da adolescência quando recebemos nossa carteirinha de adultos.

Te amo!

Huuum.

“Hum” o quê, Maria Eduarda?

Você sabe, Carlinhos.

Não sei, não.

Tá errado!

O quê? Não tá errado nada, eu amo mesmo você, Dudinha!

Aí, agora tá certo!

Agora tá certo? E por que antes não tava, Duda?

Você sabe, Carlinhos... O professor disse que não pode começar frases com pronome oblíquo. Então “te amo” está errado. É a gramática, sabe? * * * Estavam juntos há pouco tempo, semanas, na verdade. Ela com 15, ele com 16, estudavam em turmas diferentes da mesma escola e se conheceram em uma feira de ciências.


A turma dela fez um estudo sobre alimentos transgênicos, a dele construiu um vulcão que, ao invés de lava, explodia em chocolate derretido.

Maria Eduarda, louca que era por chocolate, passou no estande do 2º ano e gostou do menino meio alto, meio magro, meio moreno e meio bonito que ria sem parar da sujeira que o “vulcão” fora de controle fazia.

Uma amiga em comum foi quem fez a troca de telefones. “Minha amiga queria saber...”. Marcaram um cinema, de tarde, para não ultrapassarem a hora de chegar em casa, e poucos dias depois estavam namorando.


Os milagres que os doces fazem numa relação. * * * É que... Bem, eu só não esperava que a primeira vez que te dissesse um “eu te amo”, eu ia receber uma aula de gramática em resposta.

É que você é ruim de gramática, Carlinhos, mas a gramática é tão bonita.

Nem gosto tanto.

Por isso quer estudar Matemática, para fugir do português.

Matemática eu gosto, acho mais interessante.

Nunca vi alguém pra achar que matemática é mais interessante que gramática! Só faltava mesmo essa.

Tá bom, tá bom. A gente não precisa brigar por causa disso, vai.

Silêncio. A Maria Eduarda, que ficava zangada fácil, ficou vermelha, olhando para os próprios tênis.


O Carlinhos se afastou um pouco e encostou no muro da escola.

Mas, afinal, você pelo menos me ama também?

Eu não sei.

Não sabe se me ama? Gritou o Carlinhos, já sentindo o gosto do desespero do amor não correspondido.


Não sei se a gente ama alguém ou a alguém. O professor ainda não chegou nessa parte.

Comentários


Ouvir Estrelas:

Assine agora mesmo a minha newsletter "Ouvir Estrelas"

e fique por dentro de tudo que eu publicar!

©2022 por Maggie Paiva. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page