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#DesafioDeOutubro29 - Um beijo de amor

  • Foto do escritor: Maggie Paiva
    Maggie Paiva
  • 30 de out. de 2023
  • 4 min de leitura


“Eu ‘pegaria’ você”.


Foi eu digitar essa mensagem e clicar no botão de “enviar” que uma verdade caiu bem em cima da minha cabeça: o romance estava morto, o que poderia ser algo ruim para uma pessoa tão genuinamente romântica como eu.


Mas desde que aquele movimento ousado funcionasse e eu terminasse pelo menos aquele mês dando uns beijos no garoto que eu queria, o romance poderia ir procurar outra pessoa para se importar. Pelo menos por um tempo.


Até ali, o que, por falta de palavra melhor, poderia ser descrito como nossa história, havia sido até bastante romântica. De um jeito que eu gostaria de contar aos meus netos, de uma forma ensaiada, praticamente decorada, de quem já teria contato muitas vezes na vida, mas com toda a verdade de quem poderia estar contando pela primeira vez.


Nós dois nos conhecemos em um evento no qual nenhum de nós estava planejando estar realmente (atuação do destino, ótimo). E a única razão pela qual nos falamos, no último dos quatro dias, foi porque só havia nós dois na sala.


Tudo bem, se é pra ser realmente honesta (porque honestidade é superimportante em uma história romântica de verdade), havia uma terceira pessoa na sala. Mas ela estava dormindo profundamente, então era como se ela nem estivesse ali. Ponto para o romance, mais uma vez.


Eu poderia dizer que nos apaixonamos na hora e os dias que se seguiram foram cheios de passarinhos cantando e essa parafernália toda, mas, na realidade, nenhum de nós estava procurando um relacionamento, muito menos se apaixonar por alguém, seja lá o que vem primeiro.


Se a questão aqui é mesmo a verdade, eu preciso dizer que estávamos os dois de coração partido. E embora eu seja a primeira a reconhecer que dois corações partidos se encontrando e colando um ao outro possa ser realmente romântico, não era disso que eu ou ele estávamos atrás.


Nem naquele domingo, nem nos dias que se seguiram.


Se alguém me perguntasse, eu diria mesmo que queria que o romance morresse. No auge dos meus 18 anos, muitas comédias românticas e filmes da Disney depois, em uma cidade nova e muito maior do que a que eu cresci, eu estava pronta para as maiores aventuras da minha vida, românticas incluídas.


Mas depois de ter sido trocada por outra pessoa e só ter descoberto ao visitar o candidato a príncipe encantado e vê-lo com outra princesa… Bem, vamos dizer que o romance e eu não estávamos vivendo a melhor das amizades.


Então, deixa eu ver onde eu estava… É, eu fui traída (ou algo do tipo) e pouco tempo depois conheci um cara que estava se transformando em um ótimo amigo; eu estava bem sozinha e estava fazendo tudo da minha vida, menos procurando por romance.


É claro que ninguém me avisou que talvez fosse ele que estivesse procurando por mim… Insistentemente até, porque quer clichê mais romântico do que começar a se apaixonar pelo seu melhor amigo?


Tudo bem, ele não podia ser considerado meu melhor amigo ainda, mas ele tinha muito potencial e nós dois estávamos ficando bastante próximos (sem segundas intenções, para qualquer mente suja que esteja lendo até aqui).


Mas sim, eu comecei a perceber que estava gostando dele, porque, aparentemente, é isso que pessoas inevitavelmente românticas (e trouxas) fazem: assumem para si mesmas que estão gostando de uma pessoa, sem ter a mais remota noção do que aquela pessoa sente.


Naquele momento, diante do computador, eu nem lembrava tanto, mas minha dignidade gosta de pensar que eu lutei um pouco contra os sentimentos que eu comecei a ter… Mas deve ter sido muito pouco mesmo, porque quando eu me dei conta eu estava alimentando esses mesmos sentimentos como um filhote de gatinho órfão tirado da rua em uma noite de chuva.


Então, agora que eu já atualizei você sobre o que aconteceu nos últimos 30 dias das minha vida (mais ou menos), vamos recapitular os principais pontos dessa história, para quem tiver se perdido um pouquinho nas minhas divagações de ser humana metida a escritora:


1. O romance estava morto.

2. Eu estava apaixonada pelo meu amigo


Eu havia acabado de enviar uma mensagem pra ele, sem nunca ter falado nada a respeito de sentimentos ~românticos~ dizendo que eu o “pegaria”. Porque, àquela altura do campeonato que era a minha vida, essa era provavelmente a melhor forma possível de dizer “eu gosto de você”.


E verdade seja dita, eu gostava. E como geralmente acontecia quando eu gostava de alguém do sexo oposto, eu estava totalmente preparada para:


a) levar um fora.

b) ter o coração partido.

c) receber uma risada descontrolada em resposta.

d) dizer que eu estava brincando.

e) todas as alternativas acima.


Permitam-me (mais) uma rápida divagação sobre o verbo “gostar”. Uma das definições de um dicionário que pouco importa diz que gostar é ter afeição, ou sentir prazer em ver ou ter algo.


Eu já sentia prazer em vê-lo (me poupa da mente suja, tá bom?), mas “ter” ainda me parecia uma coisa bem distante. Tão distante que nem era algo que eu queria. E embora eu admita tranquilamente que estava gostando do espécime em questão, eu só queria mesmo dar uns beijos nele.


Se essa falta de ambição afetiva se devia ao nível do quanto eu estava gostando ou à minha falta de fé no romance como um todo, eu não sabia dizer. Mas mesmo sabendo que, caso alguém dissesse que o romance estava me procurando, eu não acreditaria, era possível que ele estivesse mesmo.


Porque quando a resposta dele ao meu segundo de ousadia chegou, adivinha só? Eu não tive meu coração partido, não levei um fora, não era uma risada e eu nem tive que fingir que estava brincando, no final das contas:


“Eu te ‘pegaria’ também”.


Talvez o romance não estivesse tão morto no final das contas. Só havia sido atualizado para ser dito de outras formas, mais fácil de ser encontrado em momentos em que a gente definitivamente não está procurando por ele.


E, spoiler alert, os beijos que eu estava procurando realmente aconteceram. Primeiro, em um elevador, com gosto de chocolate. Literalmente. Olhos fechados e, mesmo com a antecipação, surpresa dos dois lados, frio na barriga e tudo.


Do jeito que eu gostaria, do jeito que um primeiro beijo bem romântico deveria ser para ser devidamente contado no futuro, sem precisar ser aumentado ou exagerado.


Quem disse que uma adolescente não pode ter seu romance, seus beijos e seu final feliz, no fim das contas? Mas essa é só uma daquelas coisas que, se alguém me contasse que iria acontecer, eu nem acreditaria, pra variar.


Como muito (ou quase tudo!) do que aconteceu depois daquele tão aguardado momento. Que, verdade seja dita, é assunto para uma outra história.

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