A própria ilha
- Maggie Paiva

- 25 de out. de 2022
- 1 min de leitura

escrevo porque sei que a alma é tudo
e como a minha não cabe neste mundo
poesia é asa que me leva a outro lugar.
rimo pois, pra mim, não faz sentido
de escrever como se cantasse a um ouvido
e é essa falta de sentido que sentido dá.
não quero só as estratégias de outrora
não mais do que vem à mente na mesma hora
quero dizer o que ainda não sei falar.
quero sentir toda a imensidão
de transitar entre a razão e a emoção
em uma estrada longa que não vai a algum lugar.
ter a possibilidade de viver na estrada
não ser uma coisa, nem ser outra, mas as duas
ser um tudo, ser um nada, o que há.
ser a praia, o próprio mar, a própria ilha
ser poeta, como o Carlos e a Cecília
ser alegre e ser triste.
escrever sobre o que existe
e sobre o que eu vejo, sem ainda estar lá
porque quando eu escrever, estará.


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